O intendente de Porto Alegre, Alberto Bins, na década de 1930, almejava a centralização dos abates na cadeia de produção de carne na cidade. Juntamente com o então presidente do Estado, Getúlio Vargas, organizou uma comissão às pressas, por determinação do governo estadual. A comissão concluiu que a descentralização dos abates seria mais efetiva para o barateamento dos custos da carne naquele período.
Apesar de Bins não ter conseguido, inicialmente, implantar o processo centralizador desejado, o curso da licitação que permitiu a construção do prédio do Matadouro Modelo, em 1934, na Ponta da Serraria, já demonstrava o avanço de um processo de industrialização da produção de carne em Porto Alegre.
O Matadouro Modelo destacava-se pelos padrões sanitários modernos para a época. A carne era: lavada com mangueiras de alta pressão, escovada antes de ser cortada, manipulada por trabalhadores uniformizados de branco.
Os funcionários trocavam de roupas frequentemente e o local dispunha de lavanderia própria, reforçando a preocupação com a higiene industrial.
A instalação do matadouro recebeu críticas, principalmente de Clóvis Pestana — engenheiro civil, advogado e figura pública que assumiu a Prefeitura de Porto Alegre em 1945 (de maio a novembro). Ele discordava da localização escolhida, por estar distante das principais vias de transporte: rodoviário, ferroviário, marítimo, fluvial.
Mesmo com essas críticas, consideradas pouco alinhadas ao desenvolvimento industrial, o projeto seguiu adiante.
Inicialmente, o acesso ao matadouro era realizado pela Estrada da Serraria, única via da região, por onde os animais chegavam em tropas conduzidas por cavaleiros.
A partir de 1935, os bois passaram a ser transportados pela Ferrovia do Riacho, que possuía 5,983 km de extensão entre a Vila Nova e a Serraria. O trajeto incluía: Estação Vicente Monteggia (Vila Nova), Estrada João Salomoni, Rua Aurora, Rua Jerônimo Minuzzo, Estrada Monte Cristo, Estrada Eduardo Prado, Av. Juca Batista, Estrada da Serraria, Rua Jacipuia, Rua Ponciano Pacheco da Silveira, Av. Orleans (localização do Matadouro Modelo).
Entre 1940 e 1944, o matadouro foi transferido para o interior do Rio Grande do Sul (sem localização confirmada nas fontes consultadas). Em 1941, a ferrovia foi desativada após a grande enchente que ocorreu na cidade. Já em 1944, instalou-se no local um quartel, marcando o fim definitivo do uso industrial da área como matadouro.
Texto de Miriam Lima
Fontes:
BRUM, Argemiro Jacob. História da indústria frigorífica no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: EST Edições, 1998.
FEE. Indústria e urbanização no Rio Grande do Sul: 1900-1950. Porto Alegre: Fundação de Economia e Estatística, 2004.
PESAVENTO, Sandra Jatahy. História de Porto Alegre. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004.

